Procedimentos médicos inéditos no Hospital Beneficente São Carlos

Procedimentos médicos inéditos no Hospital Beneficente São Carlos

Procedimentos médicos inéditos no Hospital Beneficente São Carlos 01Julho
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Inovações na Medicina não são apenas privilégios de hospitais localizados em grandes cidades. O Hospital Beneficente São Carlos tem sido o endereço de avançadas cirurgias e procedimentos, realizados por profissionais renomados da área. 

Em maio, o neurocirurgião Paulo Franceschini fez o implante de uma bomba de infusão intratecal com baclofeno em uma paciente na casa dos 40 anos de idade que estava limpando a calçada com um lava-jato e acabou tomando um choque, sofrendo uma parada cardiorrespiratória, o que privou seu cérebro de oxigênio por um determinado período, fazendo com que as lesões levassem às sequelas neurológicas motoras como a falta de força nos membros e consequente espasticidade e enrijecimento. “Esse tipo de tratamento é destinado a pacientes que têm espasticidade disufa, comprometendo os quatro membros. A finalidade é proporcionar um procedimento mais duradouro, longevo e resolutivo para o tratamento desse tipo de situação”, explica o médico.

Segundo ele, houve tentativas de diversas modalidades de tratamento conservador, com fisioterapia, com medicações via oral pela paciente, sem, no entanto, a obtenção de resultados significativos. “A paciente iniciou um plano de reabilitação, mas a lesão motora é tão grave que o fisioterapeuta acaba atingindo seu limite em termos de melhora que pode ser fornecida, ou obtida. O mesmo acontece com o tratamento clínico com medicamentos:  o baclofeno, quando utilizado por via oral tem uma dificuldade que é a passagem pela barreira hematoencefálica, que é uma proteção do sistema nervoso central em relação à entrada de toxinas, infecções e de certos medicamentos. Então, a Medicina desenvolveu uma maneira eficaz de ultrapassar essa barreira hematoencefálica”, esmiúça, justificando a escolha pelo implante da bomba de infusão intratecal.

O que é a bomba de infusão intratecal e como ela funciona?

Dr. Franceschini explica. “É um cateter colocado no espaço liquórico, conectado a uma bomba de infusão, que é um dispositivo eletrônico que fica implantado por baixo da pele do paciente. Esse dispositivo joga o medicamento no espaço liquórico, onde o baclofeno exerce o seu efeito terapêutico, com uma força de ação de 400 a 5000 mil vezes mais potente do que o medicamento usado por via oral, o que faz com que o paciente atinja resultados muito significativos”.

Ele também ressalta que antes de passar por este procedimento do implante da bomba de infusão intratecal é feito o teste de baclofeno, que consiste em fazer uma pequena punção, que é uma injeção com uma pequena dose de baclofeno no espaço liquórico para determinar a resposta que o paciente tem. Segundo ele, a paciente em questão respondeu positivamente ao teste, o que permitiu a segunda etapa: o implante permanente de bomba de infusão intratecal, considerado um procedimento seguro, com baixíssimo risco de dano ao paciente e reversível.

“Trata-se de um procedimento altamente eficaz, com alto nível de sofisticação, realizado praticamente de forma ambulatorial, que dura cerca de uma hora até uma hora e meia. O paciente vai para casa no mesmo dia”, salienta.

O ajuste da medicação também é algo fácil e prático de ser realizado. “Temos um dispositivo no consultório que faz a comunicação por via wireless com o implante que o paciente tem e assim conseguimos dosar a medicação, tanto elevando quanto diminuindo doses”, diz Franceschini.

Como está a paciente?

“Está muito satisfeita com o tratamento até o momento. Ela vem mostrando uma melhora gradativa ao longo do tempo. Já fizemos a retirada de pontos, aumentos de dose e ela vem obtendo um resultado melhor agora com a fisioterapia que está sendo realizada. Ela vem mostrando uma melhor mobilização dos membros, reduziu o consumo energético e a dor. Então ela está muito mais confortável e certamente obtendo uma melhora significativa da sua qualidade de vida com o procedimento”, revela o neurocirurgião.

Dr. Franceschini ainda enfatiza que a espasticidade, ou o enrijecimento dos membros, deve ser tratada porque é algo desconfortável e doloroso para o paciente, dificultando sua reabilitação, fisioterapia, higiene e posicionamento na cama ou cadeira de rodas.

Os avanços na área têm a finalidade de contribuir para a qualidade de vida do paciente. A equipe de profissionais do HBSC está atenta e preparada para eles.



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